Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação Departamento de Governo Eletrônico www.governoeletronico.gov.br Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais Projeto de Acessibilidade Virtual Versão 3.0 Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico Agosto de 2011 Esta obra está licenciada por uma Licença Creative Commons - Atribuição - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/br/ Você tem a liberdade de: ?Compartilhar ? copiar, distribuir e transmitir a obra. ?Remixar ? criar obras derivadas. Sob as seguintes condições: ?Atribuição ? Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra). ?Compartilhamento pela mesma licença ? 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Para qualquer reutilização ou distribuição, você deve deixar claro a terceiros os termos da licença a que se encontra submetida esta obra Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação e-MAG Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico/ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação; Ministério da Educação, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - Brasília : MP, SLTI, 2011. 69 p.: color. 1. Acessibilidade 2. Sites da Web ? Projetos. 3. Sites na Web - Desenvolvimento 4. Programação para Internet 5. Informática - Serviço Público I. Título. CDU 004.5:35 CDD 004.678 2 Agradecimentos O Departamento de Governo Eletrônico agradece a: Bruna Poletto Salton, Jucélia Poletto Almeida, Agebson Rocha Façanha, André Luiz Rezende, Andréa Poletto Sonza, Ângela Guimarães, Felipe Zap, Gleison Samuel do Nascimento, Jorge Fiore de Oliveira Junior, Júlia Marques Carvalho da Silva, Marco Antonio de Queiroz, Marcus Vinicius Bennett Ferreira, Maurício Covolan Rosito, Reinaldo Ferraz, Renato Busatto, Ricardo Moro, Ueslei Paterno e Woquiton Fernandes, que tornaram a versão 3.0 do e-MAG possível. O DGE também agradece a: Andre Pimenta Freire Carol Scarton Diego Roger Ramos Freitas Edercio Marques Bento Jorge Fernandes Leonelo Dell Anhol Almeida Maria Cecília Calani Baranauskas Thiago Prado de Campos Vagner Figueredo de Santana Pela sua contribuição, via Consulta Pública, com sugestões, esclarecimentos e correções para o presente documento. Equipe do DGE ? Departamento de Governo Eletrônico Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 3 Índice 1. Introdução ................................................................................................... 5 1.1 Sobre a versão 3.0 ................................................................................... 5 1.2 Legislação ............................................................................................... 6 1.3 O acesso de pessoas com deficiência .......................................................... 7 1.4 O processo para desenvolver um sítio acessível ........................................... 8 2. Recomendações de acessibilidade ................................................................. 12 2.1 Marcação ............................................................................................... 13 2.2 Comportamento (DOM) ........................................................................... 21 2.3 Conteúdo / Informação ........................................................................... 24 2.4 Apresentação / Design ............................................................................ 38 2.5 Multimídia ............................................................................................. 44 2.6 Formulários ........................................................................................... 47 3. Padrões de acessibilidade digital no Governo Federal ....................................... 56 3.1 Página de descrição com os recursos de acessibilidade ................................ 56 3.2 Atalhos de teclado .................................................................................. 57 3.3 Barra de acessibilidade ............................................................................ 58 3.4 Apresentação do mapa do sítio ................................................................. 59 3.5 Apresentação de formulário ..................................................................... 60 3.6 Conteúdo alternativo para imagens ........................................................... 63 3.7 Apresentação de documentos ................................................................... 63 3.8 Elementos que não devem ser utilizados ................................................... 63 4. Recursos e ferramentas para acessibilidade .................................................... 64 5. Leitura complementar .................................................................................. 66 6. Glossário .................................................................................................... 67 7. Anexo 1 ? Tabela de Contraste de Cores ....................................................... 69 Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 4 1. Introdução O governo brasileiro, comprometido com a inclusão, buscou, através da elaboração do modelo de acessibilidade do governo eletrônico, facilitar o acesso para todas as pessoas às informações e serviços disponibilizados nos sítios e portais do governo. Assim, a primeira versão do e-MAG, elaborada pelo Departamento de Governo Eletrônico em parceria com a ONG Acessibilidade Brasil, foi disponibilizada para consulta pública em 18 de janeiro de 2005, e a versão 2.0 já com as alterações propostas, em 14 de dezembro do mesmo ano. Em 2007, a Portaria nº 3, de 7 de maio, institucionalizou o e-MAG no âmbito do sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática ? SISP, tornando sua observância obrigatória nos sítios e portais do governo brasileiro. 1.1 Sobre a versão 3.0 Para a elaboração da versão 2.0 do e-MAG foi realizado um estudo das regras de acessibilidade através de um método comparativo entre as normas adotadas por diversos países, como a Section 508 do governo dos Estados Unidos, os padrões CLF do Canadá, as diretrizes irlandesas de acessibilidade e documentos de outros países, entre eles Portugal e Espanha. Também foi realizada uma análise detalhada das regras e pontos de verificação do órgão internacional WAI/W3C, presentes na WCAG 1.0. A versão 2.0 do e-MAG dividia-se em duas partes: 1.a cartilha técnica, voltada a desenvolvedores de sítios, apresentando detalhadamente a proposta de implementação das recomendações de acessibilidade em sítios do governo; 2.a visão do cidadão, voltada a todos os cidadão brasileiros, apresentando o modelo de acessibilidade de forma simples e de fácil compreensão. A divisão do e-MAG apresentou alguns inconvenientes durante o processo de disseminação do Modelo, como a dificuldade das pessoas entenderem as áreas da Visão do Cidadão e seu relacionamento com a aplicação efetiva da acessibilidade. O aprendizado durante os seis anos da versão 2.0 do e-MAG e o lançamento da versão 2.0 do WCAG marcaram o caminho para a revisão do Modelo. Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 5 A revisão do modelo e a nova versão foi desenvolvida através da parceria entre o Departamento de Governo Eletrônico e o Projeto de Acessibilidade Virtual da RENAPI (Rede de Pesquisa e Inovação em Tecnologias Digitais). Também, para a elaboração dessa nova versão, foram consideradas as contribuições de especialistas na área da acessibilidade. A elaboração da versão 3.0 foi embasada na versão anterior do e-MAG, apoiando-se na WCAG 2.0, lançada em dezembro de 2008, e considerando as novas pesquisas na área de acessibilidade à Web. Apesar de utilizar a WCAG como referência, o e-MAG 3.0 foi desenvolvido e pensado para as necessidades locais, visando atender as prioridades brasileiras e mantendo-se alinhado ao que existe de mais atual neste segmento. Seguindo a diretriz do programa de Governo Eletrônico de promover a Cidadania, o documento-proposta passou por Consulta Pública no período de novembro de 2010 a janeiro de 2011, recebendo contribuições tanto pelo sistema de Consulta Pública do Portal do Programa , quanto por e-mail. O número de contribuições superou as expectativas e a avaliação criteriosa destas impactou na data de entrega do modelo, que teve seu cronograma estendido. Assim, após um longo período de maturação e estudo, é entregue à sociedade brasileira a terceira versão do Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico, o e- MAG versão 3.0, atualizado e mais abrangente no que diz respeito a tornar acessível o conteúdo do governo brasileiro na Web. A versão 3.0 do e-MAG é apresentada em apenas um documento, não havendo separação entre visão técnica e visão do cidadão. Outra decisão foi o abandono dos níveis de prioridade A, AA e AAA, visto que o padrão é voltado as páginas do Governo, não sendo permitido exceções com relação ao cumprimento das recomendações. Além disso, no e-MAG 3.0 foi incluída a seção chamada ?Padronização de acessibilidade nas páginas do governo federal?, com o intuito de padronizar elementos de acessibilidade que devem existir em todos os sítios e portais do governo. 1.2 Legislação Estão listados abaixo alguns dos principais documentos, que fazem parte da legislação que norteia o processo de promoção da acessibilidade e a implementação do e-MAG: Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 6 1.Decreto número 5296, de 2 de dezembro de 2004, que regulamenta as leis n° 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência, e dá outras providências; 2.Comitê CB-40 da ABNT, que se dedica à normatização no campo de acessibilidade, atendendo aos preceitos de desenho universal. O Comitê possui diversas comissões, definindo normas de acessibilidade em todos os níveis, desde o espaço físico até o virtual; 3.Decreto n° 6949, de 25 de agosto de 2009, que promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência elaborada pelas Nações Unidas em 30 de março de 2007, definindo, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade de promoção do acesso de pessoas com deficiência a novos sistemas e tecnologias da informação e comunicação, inclusive à Internet. 4.Portaria nº 3, de 7 de maio de 2007, que institucionalizou o e-MAG no âmbito do sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática ? SISP, tornando sua observância obrigatória nos sítios e portais do governo brasileiro. 1.3 O acesso de pessoas com deficiência O computador e a Internet representam um enorme passo para a inclusão de pessoas com deficiência, promovendo autonomia e independência. Mas como pessoas com deficiência utilizam o computador? Muitas vezes, a deficiência não é severa o suficiente a ponto de tornar-se uma barreira à utilização do computador. Entretanto, na maioria das páginas da Web, as pessoas cegas ou com baixa visão, pessoas com deficiência auditiva, com dificuldade em utilizar o mouse, por exemplo, encontram inúmeras barreiras de acessibilidade que dificultam ou impossibilitam o acesso aos seus conteúdos. No que se refere a acesso ao computador, as quatro principais situações vivenciadas por usuários com deficiência são: ?Acesso ao computador sem mouse: no caso de pessoas com deficiência visual, dificuldade de controle dos movimentos, paralisia ou amputação de um membro superior; Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 7 ?Acesso ao computador sem teclado: no caso de pessoas com amputações, grandes limitações de movimentos ou falta de força nos membros superiores; ?Acesso ao computador sem monitor: no caso de pessoas com cegueira; ?Acesso ao computador sem áudio: no caso de pessoas com deficiência auditiva. No entanto, esses não são os únicos casos que devem ser considerados quando se pensa em acessibilidade na Web. Muitas pessoas apresentam outras limitações relacionadas à memória, resolução de problemas, atenção, compreensão verbal, leitura e linguística, compreensão matemática e compreensão visual. Uma pessoa com dislexia, por exemplo, pode apresentar dificuldade de leitura de uma página devido a um desenho inadequado. Por isso, um sítio desenvolvido considerando a acessibilidade deve englobar diferentes níveis de escolaridade, faixa etária e pouca experiência na utilização do computador, bem como ser compatível com as diversas tecnologias utilizadas para acessar uma página da Web. Um dos aliados das pessoas com deficiência para o uso do computador são os recursos de tecnologia assistiva, que auxiliam na realização de tarefas antes muito difíceis ou impossíveis de realizar, promovendo, desta maneira, a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social de pessoas com deficiência. Existe atualmente uma enorme gama de recursos de tecnologia assistiva, desde artefatos simples até objetos ou softwares mais sofisticados e específicos, de acordo com a necessidade de cada pessoa. Uma pessoa com limitado movimento das mãos, por exemplo, pode utilizar um teclado adaptado que contém teclas maiores ou um mouse especial para operar o computador. Já as pessoas com baixa visão podem recorrer a recursos como ampliadores de tela, enquanto usuários cegos podem utilizar softwares leitores de tela para fazer uso do computador. Apesar de sua enorme importância na promoção da acessibilidade às pessoas com deficiência, os recursos de tecnologia assistiva, por si só, não garantem o acesso ao conteúdo de uma página da Web. Para tal, é necessário que a página tenha sido desenvolvida de acordo com os padrões Web (Web Standards) e as recomendações de acessibilidade, os quais serão abordados ao longo deste documento. Dentro desse contexto, este documento objetiva garantir que o processo de acessibilidade dos sítios do governo brasileiro seja conduzido de forma padronizada, de fácil implementação, coerente com as necessidades brasileiras e em conformidade com os padrões internacionais. Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 8 1.4 O processo para desenvolver um sítio acessível A acessibilidade à Web refere-se a garantir acesso facilitado a qualquer pessoa, independente das condições físicas, dos meios técnicos ou dispositivos utilizados. No entanto, ela depende de vários fatores, tanto de desenvolvimento quanto de interação com o conteúdo. O processo para desenvolver um sítio acessível é realizado em três passos: 1.Seguir os padrões Web; 2.Seguir as diretrizes ou recomendações de acessibilidade; 3.Realizar a avaliação de acessibilidade. PRIMEIRO PASSO: PADRÕES WEB Para se criar um ambiente online efetivamente acessível é necessário, primeiramente, que o código esteja dentro dos padrões Web internacionais definidos pelo W3C. Os padrões de desenvolvimento Web do W3C, ou Web Standards, são um conjunto de recomendações que visa padronizar o conteúdo Web, possibilitando melhores práticas no desenvolvimento de páginas da Web. Uma página desenvolvida de acordo com os padrões Web deve estar em conformidade com as normas HTML, XML, XHTML e CSS, seguindo as regras de formatação sintática. Além disso, é muito importante que o código seja semanticamente correto, ou seja, que cada elemento seja utilizado de acordo com um significado apropriado, valor e propósito. A conformidade com os padrões Web permite que qualquer sistema de acesso à informação interprete a mesma adequadamente e da mesma forma, seja por meio de navegadores, leitores de tela, dispositivos móveis (celulares, tablets, etc.) ou agentes de software (mecanismos de busca ou ferramentas de captura de conteúdo). Páginas que não possuem um código de acordo com os padrões do W3C apresentam comportamento imprevisível, e na maioria das vezes impedem ou pelo menos dificultam o acesso. Para conhecer as boas práticas em desenvolvimento de sítios de acordo com os padrões, ver Cartilha de Codificação dos Padrões Brasil e-GOV, disponível em: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/padroes-brasil-e-gov Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 9 SEGUNDO PASSO: DIRETRIZES OU RECOMENDAÇÕES DE ACESSIBILIDADE As diretrizes ou recomendações de acessibilidade explicam como tornar o conteúdo Web acessível a todas as pessoas, destinando-se aos criadores de conteúdo Web (autores de páginas e criadores de sítios) e aos programadores de ferramentas para criação de conteúdo. Um dos principais documentos nessa área é a WCAG, atualmente em sua versão 2.0, desenvolvida pelo consórcio W3C a partir da criação do WAI (Web Accessibility Initiative), contendo as recomendações de acessibilidade para conteúdo Web. Em nível nacional, o e-MAG é o documento que contém as diretrizes ou recomendações que norteiam o desenvolvimento de sítios e portais acessíveis. TERCEIRO PASSO: AVALIAÇÃO DE ACESSIBILIDADE Após a construção do ambiente online de acordo com os padrões Web e as diretrizes de acessibilidade, é necessário testá-lo para garantir sua acessibilidade. No caso dos padrões Web, há um validador automático disponibilizado pelo próprio W3C (ver seção de Recursos). No que diz respeito às diretrizes de acessibilidade, é necessário realizar, inicialmente, uma validação automática através de validadores, que são softwares ou serviços online que ajudam a determinar se um sítio respeitou ou não as recomendações de acessibilidade, gerando um relatório de erros. Uma das ferramentas que podem ser utilizadas é o ASES, avaliador e simulador de acessibilidade em sítios, cujos instrumentos permitem avaliar, simular e corrigir a acessibilidade de páginas, sítios e portais, viabilizando a adoção da acessibilidade por órgãos do governo. Além do ASES, existem outros validadores automáticos (para mais informações, ver seção de Recursos deste documento). É preciso salientar que, apesar de tornarem a avaliação de acessibilidade mais rápida e menos trabalhosa, os validadores automáticos por si só não determinam se um sítio está ou não acessível. Para uma avaliação efetiva, será necessária uma posterior validação manual. A validação manual é necessária porque nem todos os problemas de acessibilidade em um sítio são detectados mecanicamente pelos validadores. Para a validação manual, são utilizados checklists de validação humana. Assim, os passos sugeridos para a avaliação de acessibilidade em um sítio são os seguintes: 1.Validar os códigos do conteúdo HTML e das folhas de estilo; Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 10 2.Verificar o fluxo de leitura da página ? para tal, utilizar um navegador textual, como o Lynx, ou um leitor de tela (recomendamos o NVDA ou ORCA). Para maiores detalhes, ver documento Descrição dos Leitores de Tela, disponível em: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e-MAG/material- de-apoio. 3.Verificar o fluxo de leitura da página sem estilos, sem script e sem as imagens; 4.Verificar as funcionalidades da barra de acessibilidade, aumentando e diminuindo a letra, modificando o contraste, etc.; 5.Realizar a validação automática de acessibilidade utilizando o ASES e outros avaliadores automáticos sugeridos no Capítulo 4; 6.Realizar a validação manual, utilizando os checklists de validação humana disponíveis em http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e- MAG/material-de-apoio. A validação manual é uma etapa essencial na avaliação de acessibilidade de um sítio, já que os validadores automáticos não são capazes de detectar todos os problemas de acessibilidade em um sítio, pois muitos aspectos requerem um julgamento humano. Por exemplo, validadores automáticos conseguem detectar se o atributo para descrever imagens foi utilizado em todas as imagens do sítio, mas somente uma pessoa poderá verificar se a descrição da imagem está adequada ao seu conteúdo. Para realizar uma validação manual efetiva, o desenvolvedor deverá ter conhecimento sobre as diferentes tecnologias, as barreiras de acessibilidade enfrentadas por pessoas com deficiência e as técnicas ou recomendações de acessibilidade. Outra etapa essencial da validação de uma página é a realização de testes com usuários reais (pessoas com deficiência ou limitações técnicas). Um usuário real poderá dizer se um sítio está realmente acessível, compreensível e com boa usabilidade e não simplesmente tecnicamente acessível. Quanto maior e mais diversificado o número de usuários reais participando da avaliação de acessibilidade, mais eficaz e robusto será o resultado. Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 11 2. Recomendações de acessibilidade Os padrões de acessibilidade compreendem recomendações ou diretrizes que visam tornar o conteúdo Web acessível a todas as pessoas, inclusive às pessoas com deficiência, destinando-se aos autores de páginas, projetistas de sítios e aos desenvolvedores de ferramentas para criação de conteúdo. A observação destes padrões também facilita o acesso ao conteúdo da Web, independente da ferramenta utilizada (navegadores Web para computadores de mesa, laptops, telefones celulares, ou navegador por voz) e de certas limitações técnicas, como, por exemplo, uma conexão lenta, a falta de recursos de mídia, etc. As recomendações de acessibilidade deste documento não estão dividas por níveis de prioridade, já que todas elas são de grande importância e devem ser seguidas. Dessa forma, optou-se por classificar as recomendações nas seguintes seções: ?Marcação ?Comportamento (DOM) ?Conteúdo/Informação ?Apresentação/Design ?Multimídia ?Formulário OBS: As recomendações deste documento são baseadas em HTML 4.0 e XHTML 1.1. A maioria dos exemplos apresentados nas recomendações a seguir mostram o código (X)HTML que deve ser renderizado no navegador, já que é esse código que apresenta importância para garantir a acessibilidade. Assim, não foram apresentados exemplos do lado do servidor, pois o desenvolvedor pode utilizar a linguagem do lado do servidor que preferir, apenas tomando o cuidado com o código que será gerado. Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 12 2.1 Marcação RECOMENDAÇÃO 1 ? RESPEITAR OS PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO WEB Ver WCAG 2.0 Critérios de Sucesso 4.1.1 e 4.1.2 É essencial seguir os padrões de desenvolvimento Web, do W3C (World Wide Web Consortium), com o intuito de maximizar a compatibilidade com atuais e futuros agentes de usuário. É preciso declarar o DOCTYPE correto da página de qualquer documento HTML ou XHTML. O DOCTYPE define qual versão do (X)HTML o documento está usando e esta é uma informação fundamental para que os agentes de usuário processem corretamente o documento. Além disso, é por meio do DOCTYPE que as ferramentas de validação analisam o código da página e indicam correções. Poderá ser utilizado qualquer DOCTYPE para HTML ou XHTML, com exceção do Frameset. Além disso, qualquer código HTML ou CSS inserido em uma página por script ou outro método similar deve produzir uma página válida quando renderizada. As camadas lógicas deverão ser separadas, de acordo com o objetivo para o qual elas foram desenvolvidas. Assim, para a camada de conteúdo devem ser utilizadas as linguagens de marcação, como html e xhtml. Para a camada de apresentação visual do conteúdo, utilizam-se as folhas de estilo css em qualquer uma de suas versões. Já para a camada que modifica o comportamento dos elementos, são utilizadas linguagens javascript e modelos de objeto (dom). Exemplos de DOCTYPE Em HTML 4.01 Strict Exemplo de DOCTYPE em HTML 4.01 Em XHTML 1.1 Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 13 Exemplo de DOCTYPE em XHTML 1.1 Para mais detalhes a respeito dos padrões de desenvolvimento web, ver a Cartilha de Codificação Padrões Web e-GOV do padrão e-PWG, disponível em: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/padroes-brasil-e-gov RECOMENDAÇÃO 2 ? ORGANIZAR O CÓDIGO HTML DE FORMA LÓGICA E SEMÂNTICA Ver WCAG 2.0 Critério de Sucesso 1.3.1 O código HTML deve ser organizado de forma lógica e semântica, ou seja, apresentando os elementos em uma ordem compreensível e correspondendo ao conteúdo desejado. Assim, marcação semântica adequada deve ser utilizada para designar os cabeçalhos (h1, h2, h3), as listas (ul, ol, dl), texto enfatizado (strong), marcação de código (code), marcação de abreviaturas (abbr), marcação de citações longas (blockquote), etc. Dessa forma, as páginas poderão ser apresentadas e compreendidas sem recursos de estilização, tal como as folhas de estilo. Além disso, o código semanticamente correto é muito importante para usuários com deficiência visual, pois os leitores de telas descrevem primeiro o tipo de elemento e depois realizam a leitura do conteúdo que está dentro desse elemento. Exemplo correto

Padrões Web

Web Semântica

O poder da web está em sua universalidade. Ser acessada por todos, independente de deficiência, é um aspecto essencial.
Tim Berners Lee Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 14 Exemplo Incorreto

Padrões Web

Menu 1

Menu 2

Web Semântica

O poder da web está em sua universalidade. Ser acessada por todos, independente de deficiência, é um aspecto essencial.

Tim Berners Lee

RECOMENDAÇÃO 3 ? UTILIZAR CORRETAMENTE OS NÍVEIS DE CABEÇALHO Ver WCAG 2.0 Critérios de Sucesso 1.3.1 e 2.4.10 Os níveis de cabeçalho devem ser utilizados de forma lógica e semântica para facilitar a leitura e compreensão. Além disso, pessoas acessando uma página com leitor de tela podem navegar através dos cabeçalhos, pulando de um para outro, agilizando, assim, a navegação. Conceitualmente, existem seis níveis de títulos, sendo o h1 o mais alto, ou seja, deverá corresponder ao título principal da página. Dessa forma, cada página deverá ter apenas um h1, o qual poderá ser substituído por uma imagem, mas deverá permanecer com seu conteúdo, mesmo que não visualmente, permitindo a leitura pelo leitor de tela. Já os níveis do h2 ao h6 poderão ser utilizados mais de uma vez na página, mas sem excesso e com lógica textual. Para compreender melhor os níveis de título pode-se tomar como exemplo um sítio de um livro, onde o nome do livro é o h1, os capítulos são h2, os subcapítulos são h3 e assim por diante. Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 15 Exemplo Figura 1 ? Exemplo de utilização dos níveis de título HTML

Técnicas culinárias

A seguir os segredos que facilitam a vida na cozinha.

Legumes, folhas e vegetais

Baba do quiabo

Para eliminar a baba do quiabo, lave-o ainda inteiro, seque-o e coloque-o numa tigela com um pouco de suco de limão, deixando repousar durante 15 minutos. Depois lave ligeiramente, corte e cozinhe.

Feijão

1 xícara de feijão cru serve trás pessoas depois de pronto.

Cenouras e aipos

Para resolver o problema de cenouras e aipos meio murchos, mergulhe-os em água gelada misturada com uma colher de chá de mel por uma hora. Escorra e seque levemente depois.

Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 16

Congelamento e descongelamento

Carne em pedaços

Para descongelar carne em pedaços inteiros coloque?a embrulhada, numa vasilha com água. Coloque sal na água e no pacote e tampe por uma hora.

Carne moída

Para apressar o descongelamento da carne moída, salgue a quantidade que irá usar. O sal apressa o descongelamento.

RECOMENDAÇÃO 4 ? ORDENAR DE FORMA LÓGICA E INTUITIVA A LEITURA E TABULAÇÃO Ver WCAG 2.0 Critérios de Sucesso 1.3.2 e 2.4.3 Deve-se criar o código HTML com uma sequência lógica de leitura para percorrer links, controles de formulários e objetos. Essa sequência é determinada pela ordem que se encontra no código HTML. É recomendável disponibilizar o bloco de conteúdo no HTML antes do bloco de menu, para que usuários, navegando pelo teclado, não precisem navegar por todos os itens de menu antes de chegar ao conteúdo. Apesar de os atalhos auxiliarem nesse sentido, alguns usuários não sabem utilizá-los. Os atalhos não funcionam em interfaces especializadas, como o do Leitor de Tela DOSVOX e podem ser de difícil utilização para pessoas com deficiência motora. OBS: O atributo tabindex somente deverá ser utilizado quando existir real necessidade. Com o uso de CSS para fins de leiaute, o código HTML pode facilmente ser desenvolvido de maneira que a ordem de tabulação seja a correta. No entanto, se houver necessidade de utilizar o tabindex , o mesmo deverá ser utilizado com a semântica correta e deverá ser verificado manualmente se o fluxo fornecido pelo tabindex é realmente o desejado, evitando, assim, que o uso do tabindex resulte em uma ordem de tabulação inconsistente. Exemplo correto (sem o uso do tabindex) Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 17 Exemplo incorreto do uso do tabindex Ordem de tabulação errada, conferida pelo tabindex: RECOMENDAÇÃO 5 - DISPONIBILIZAR TODAS AS FUNÇÕES DA PÁGINA VIA TECLADO Ver WCAG 2.0 Critérios de Sucesso 2.1.1 e 2.1.2 Todas as funções da página desenvolvidas utilizando-se linguagens de script (javascript) deverão estar disponíveis quando for utilizado apenas o teclado. É importante salientar que o foco não deverá estar bloqueado ou fixado em um elemento da página, para que o usuário possa mover-se pelo teclado por todos os elementos. Algumas funções específicas do mouse possuem uma função lógica correspondente via teclado, conforme mostrado na tabela a seguir: Evento do mouse Evento do teclado onmousedown onkeydown onmouseup onkeyup onclick* onkeypress onmouseover onfocus* onmouseout onblur* OBS: * Alguns manipuladores de eventos são dispositivo-independentes, ou seja, se aplicam a qualquer dispositivo (mouse, teclado ou outro), como é o caso de: onFocus, onBlur, onSelect, onChange, e onClick (quando o onClick for utilizado em um link ou elemento de formulário). Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 18 Quando forem utilizados múltiplos manipuladores de eventos para uma ação, de maneira que ela funcione tanto pelo mouse como pelo teclado, é importante testar o resultado final em diferentes navegadores e utilizando diferentes recursos de tecnologia assistiva, para garantir que o evento seja, de fato, acessível. Dê preferência por utilizar o onclick/onkeypress em vez de onmousedown/onkeydown e onmouseup/onkeyup, pois estes últimos fazem com que o evento seja disparado automaticamente através do teclado. Se houver real necessidade de utilização destes eventos, deverá ser feito um controle sobre qual tecla deverá ser acionada para que o evento ocorra, conforme o exemplo a seguir: JavaScript HTML

Portal Brasil

Existem funções do mouse que não possuem uma função correspondente via teclado, como é o caso de duplo clique (dblclick). Nesses casos, é necessário implementar a função de maneira alternativa, como, por exemplo, incluindo botões que executem, pelo teclado, a função de forma equivalente. O evento onclick já funciona pelo teclado (tecla ENTER) na maioria dos navegadores. RECOMENDAÇÃO 6 ? FORNECER ÂNCORAS PARA IR DIRETO A UM BLOCO DE CONTEÚDO Ver WCAG 2.0 Critério de Sucesso 2.4.1 Devem ser fornecidas âncoras, disponíveis na barra de acessibilidade, que apontem para links relevantes presentes na mesma página. Assim, é possível ir ao bloco de Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 19 conteúdo desejado. Os links devem ser colocados em lugares estratégicos da página, como por exemplo, no início e final do menu, do conteúdo, etc. Para facilitar a utilização das âncoras, podem ser disponibilizados atalhos por teclado, utilizando o atributo accesskey nos links relevantes. É importante ressaltar que as dicas de atalhos presentes na barra de acessibilidade não devem possuir o atributo accesskey, já que não pode haver repetição do mesmo accesskey em uma página. Recomenda-se fornecer atalhos para o menu principal, para o conteúdo e para a caixa de pesquisa. Exemplo Topo da Página (na barra de acessibilidade) Conteúdo da Página
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Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 20 Foram utilizados ambos os atributos name e id para que as âncoras funcionem em todos os navegadores, tanto textuais quanto gráficos, já que há os que suportam ambos os atributos e os que suportam apenas um deles. As dicas dos principais atalhos do sítio devem ser disponibilizadas na barra de acessibilidade e na página sobre a acessibilidade do sítio. Maiores detalhes a esse respeito podem ser encontrados no capítulo 3 ? Elementos de acessibilidade nas páginas do Governo Federal. RECOMENDAÇÃO 7 ? NÃO UTILIZAR TABELAS PARA DIAGRAMAÇÃO Ver WCAG 2.0 Critério de Sucesso 1.3.1 (Técnica H51) As tabelas devem ser utilizadas apenas para dados tabulares e não para efeitos de disposição dos elementos na página. Para este fim, utilize as folhas de estilo. RECOMENDAÇÃO 8 ? SEPARAR LINKS ADJACENTES Ver WCAG 2.0 Critério de Sucesso 1.3.1 (Técnica H48) Links adjacentes devem ser separados por mais do que simples espaços, para que não fiquem confusos, em especial para usuários que utilizam leitor de tela. Para isso, é recomendado o uso de listas, onde cada elemento dentro da lista é um link. As listas podem ser estilizadas visualmente com CSS para que os itens sejam mostrados da maneira desejada, como um ao lado do outro, por exemplo. Caso os links estejam no meio de um parágrafo, pode-se utilizar vírgulas, parênteses, colchetes, etc., para fazer a separação. Exemplo correto Modelo de Acessibilidade em Governo Eletrônico e-MAG 21 Exemplo incorreto RECOMENDAÇÃO 9 ? NÃO ABRIR NOVAS INSTÂNCIAS SEM A SOLICITAÇÃO DO USUÁRIO Ver WCAG 2.0 Critério de Sucesso 3.2.5 A decisão de se utilizar-se de novas instâncias ? por exemplo abas ou janelas - para acesso a páginas e serviços ou qualquer informação é do cidadão. Assim, não devem ser utilizados: ?Pop-ups; ?A abertura de novas abas ou janelas; ?O uso do atributo target=?_blank?; ?Mudanças no controle do foco do teclado; ?Entre outras, que não tenham sido solicitadas pelo usuário. 2.2 Comportamento (DOM) RECOMENDAÇÃO 10 ? GARANTIR QUE OS OBJETOS PROGRAMÁVEIS SEJAM ACESSÍVEIS Ver WCAG 2.0 Critérios de Sucesso 2.1.1 e 2.1.2 Deve-se garantir que scripts, Flash, conteúdos dinâmicos e outros elementos programáveis sejam acessíveis. Se não for possível que o elemento programável seja diretamente acessível, deve ser fornecida uma alternativa em HTML para o conteúdo. Assim, é preciso garantir que o conteúdo e as funcionalidades de objetos programáveis sejam acessíveis aos recursos de tecnologia assistiva e que seja possível a navegação por teclado. Quando o script for utilizado em uma página da Web, uma forma de fornecer uma alternativa para ele é através do elemento